Da Bahia para o VIII Laboratório de Narrativas Negras e Indígenas para o Audiovisual da Rede Globo, os três produtores audiovisuais estão participando de aulas online e imersão nos estúdios da emissora.
Desde setembro deste ano, três baianos estão imersos no Laboratório de Narrativas Negras e Indígenas para o Audiovisual (LANANI), promovido pela Rede Globo, em parceria com a Festa Literária das Periferias (Flup). Trata-se de um um programa de desenvolvimento de roteiristas com foco na promoção da diversidade e inclusão. Para os participantes, é uma oportunidade de conhecer formas de expressão da pluralidade cultural negra e indígena em roteiros de audiovisual. Além disso, há a expectativa de criar uma rede de relacionamento que possibilite aos novos roteiristas de origem negra e indígena se inserirem no mercado.
“O LANANI, em consonância com nossa agenda ESG, visa facilitar a entrada no mercado audiovisual e promover a diversidade na criação artística, dando oportunidades a pessoas negras e indígenas. Através desse laboratório, buscamos reforçar a equidade de oportunidades e garantir que esses talentos tenham espaço para se destacar e prosperar”, ressalta Fellype Pontes, gerente do núcleo de gestão artística da Globo.
Ao final do processo, os roteiristas terão participado em 10 aulas online, com conteúdo técnico, além da participação presencial nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Com temáticas diversas, como os conceitos de narrativa e construção de personagem, as aulas estão sendo ministradas por roteiristas consagrados como Jorge Furtado, Rosane Svartman, Antonio Prata e Diego Molina. Uma mentoria com profissionais da emissora também está entre as atividades.
Dos selecionados, dentre os três baianos, há uma cineasta que tem na Chapada Diamantina, especificamente na cidade de Lençóis, a sua origem profissional. Apesar de nascida em Pernambuco, Mamirawá cresceu na cidade chapadeira e até hoje vive os vínculos pessoais, criativos e profissionais na Chapada, dividindo os compromissos com a rotina na capital, Salvador.
Multiartista que transita entre a fotografia e o cinema, é filha de pais artesãos e desde tenra idade se viu envolvida em atividades artísticas e culturais, começando pelo projeto musical “Ciranda Cultural” e, posteriormente, já a partir de 2014, passando a integrar o grupo de jovens no ponto de cultura Grãos de Luz e Griô, onde fez parte da oficina de audiovisual produzindo conteúdos coletivamente do roteiro até a distribuição.
Na fotografia, Mirawá atuou no projeto “Rede de Jarê” entre outras articulações do ponto de cultura como a de agentes culturais da Bahia e o cineclube Fruto do Mato. Se formou no Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades e, atualmente, cursa Produção Cultural na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Em sua filmografia estão O Sertão é Dentro da Gente (2018 31’), Portal da Rua Mulheres Protagonistas da Arte (2022 15’), Benção (2023 11’) e Ymburana (2024 15’).
Junto com ela, dois baianos integram a turma de 20 pessoas selecionadas entre mais de 600 inscritos. Flávio Gusmão é bacharel em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) e mora em Muritiba, interior baiano. É fundador da produtora Filmorama, membro da Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN), produtor e curador da plataforma audiovisual pan-amazônica FOZ, além de produtor da edição 2021 do Festival Internacional do Audiovisual Negro do Brasil (FIANB).
Flávio é produtor do documentário Aldeia Roots, do curta-metragem Carolina Maria, além de produtor executivo e distribuidor do documentário Fumageiras – Memórias e Resistência em Muritiba, média-metragem de Joice Nunes.
O terceiro nome nessa lista de talentos é Antônio Victor Simas, roteirista e diretor formado em Cinema e Audiovisual também pela UFRB. Seus curtas, como Mãe? (2018), Nos Tempos de Lili Bolero (2019) e O Garoto do Fim do Mundo (2020), foram selecionados em festivais de destaque, como o Festival de Brasília e o Panorama Coisa de Cinema. Atualmente, atua como roteirista publicitário na MegaMídia e está em pós-produção de seu próximo curta, Recessão Econômica, selecionado pela Lei Paulo Gustavo da Bahia.
O LANANI já revelou artistas cujos talentos puderam ser conferidos pelo mercado, como Cleissa Regina (Terra e Paixão, As Five 2 e 3), Hela Santana (Histórias Impossíveis e Encantado’s), Renata Sofia (Vai na Fé e No Rancho Fundo), Kariny Martins (Espécie Invasora) e Dione Carlos (Guerreiros do Sol).
Na turma passada, o professor baiano Edson Oliveira, de Santo Estevão, teve seu argumento comprado no final do laboratório, e avalia a oportunidade como um divisor de águas em sua vida.
“Estou certo de que foi uma das experiências formativas mais incríveis que experimentei, por tudo aquilo que vi, ouvi e foi partilhado. Saí dessa aventura, completamente apaixonado pelo mundo do roteiro e do audiovisual, certo de que nossa existência se torna mesmo mais bonita, quando nos dispomos a observar o mundo e a contar histórias, a partir daquilo que nossos ancestrais nos ensinaram. A palavra é realmente uma força viva”, conta ele.
Esta edição do LANANI finaliza em 01 de dezembro deste ano e nossos profissionais da Bahia seguem representados por Mamirawá, Flávio e Antônio que, certamente, ao final do processo poderão potencializar suas contribuições ao cinema baiano.
Com informações da Globo/artistas | Foto: Divulgação

