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Inema usa drones para mapear impactos da seca na bacia do Rio Utinga

Crise hídrica no Rio Utinga vem sendo observada há em torno de 30 anos, com diversos mapeamentos e estudos realizados; governo tenta mitigar os efeitos das outorgas de irrigação e desmatamento com novo monitoramento.

Com o agravamento da crise hídrica na sub-bacia do Rio Utinga, na Chapada Diamantina, um monitoramento com drones passou a ser adotado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) para contribuir com a avaliação ambiental na região.

De acordo com o governo, a ideia é mapear os impactos da seca e subsidiar ações emergenciais e estratégicas. Para isso, durante três dias, uma equipe técnica sobrevoou, com drones, os pontos mais críticos da bacia, nos municípios de Wagner e Utinga, coletando imagens dos cursos d’água e da vegetação nativa.

O analista e operador de drones do Inema, Danilo Lima, ressaltou que o uso dessa tecnologia tem sido essencial para fazer um diagnóstico do cenário atual das matas ciliares e dos rios. “Os sobrevoos nos permitem capturar imagens detalhadas, que embasam as análises dos técnicos na busca por soluções mais eficazes. Hoje, estamos mapeando as matas ciliares da região para avaliar seu estado de conservação e os impactos na disponibilidade hídrica. Já registramos um perímetro de aproximadamente 22 km”.

Os drones são equipados com câmeras de alta resolução que conseguem capturar imagens de áreas com grandes extensões e de locais que são praticamente impossíveis de alcançar por terra. “Essas imagens são processadas com o auxílio de softwares especializados para identificar, por exemplo, mudanças na cobertura vegetal e possíveis intervenções nos cursos de rios e fontes”, explicou o analista.

A ação é um desdobramento da campanha “Dia do Rio Utinga”, lançado em 2024, que combina ações de sensibilização, educação ambiental, monitoramento e regularização ambiental e cadastral dos usuários.  

Sobre a bacia do Rio Utinga 

Com cerca de 70 km de extensão, o Rio Utinga fornece água doce essencial para a agricultura, consumo humano, produção e a manutenção da biodiversidade. O rio é responsável pelo abastecimento de grande parte da população dos municípios de Utinga, Wagner, Lajedinho e Andaraí. Percorre, além desses municípios, Lençóis, Nova Redenção e Bonito. Suas águas são usadas para consumo humano e animal e têm sido exploradas por produtores que receberam outorgas para uso da água em grandes plantações, sobretudo de banana, uma espécie perene, que necessita de irrigação constante sem respeitar a sazonalidade das épocas de cheia e estiagem.

Até o final de 2023, no percurso do Rio Utinga existiam 3.500 hectares de área irrigada, onde se cultivam 2,4 milhões de pés de banana. No entanto, essa alta quantidade de área irrigada pelas águas do rio vem causando problemas na autonomia hídrica das comunidades, por substituir as tecnologias sociais de irrigação que eram mantidas pela população local. Com isso, a produção agrícola vem diminuindo a cada ano e esses fatores, aliados à supressão de vegetação e disponibilização de novas outorgas, agora subterrâneas, criaram uma crise hídrica que se arrasta há 30 anos, com a diminuição acelerada da vazão de água ao longo dos anos.

Fonte: Ascom/Sema e CPT | Foto: Tiago Dantas/Sema

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