Estudantes levam nome da Chapada em reconhecimento estadual e reafirmam a força do jornalismo comunitário.
O curso de Jornalismo da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) campus Seabra acaba de fazer história durante a solenidade de premiação do 5º Prêmio Abapa de Jornalismo. Nesta quarta-feira, 26, no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), em Salvador, entre mais de cem estudantes de diversas universidades da Bahia, os discentes da Chapada Diamantina conquistaram cinco troféus, reafirmando a força de uma formação comprometida com o território e com a comunicação comunitária.
Diante de aproximadamente 250 convidados que assistiam à premiação, o resultado coroou um trabalho feito com seriedade e profissionalismo, destacando os futuros comunicadores da Chapada Diamantina. A Uneb Juazeiro também se destacou, alcançando dois prêmios.
Este ano, a iniciativa integrou as comemorações pelos 25 anos da Associação Baiana dos Produtores de Algodão e recebeu 153 trabalhos, sendo 133 na categoria Jovem Talento e 20 na categoria Profissional. Os contemplados receberam premiações em dinheiro, que somaram um total de R$ 123 mil, além de troféus, conferidos aos conteúdos ganhadores, veiculados em mídias impressas, digitais, televisivas e radiofônicas.
Confira os contemplados na Uneb Seabra
- Categoria Texto:
- 3° lugar para Bores Júnior (orientação da professora Juliana Almeida);
- 4° lugar para Lucas Assunção (orientação da professora Dayanne Pereira).
- Categoria Podcast:
- 1° lugar para Bores Júnior (orientação da professora Juliana Almeida);
- 3° lugar para Lucas Assunção (orientação da professora Juliana Almeida);
- 4° lugar para Taciere Santana e Ana Novaes (orientação de Juliana Almeida).



Reconhecimento institucional
Para a coordenadora do curso, Juliana Almeida, o prêmio representa mais que uma conquista: é a validação de uma formação territorial e comunitária, realizada com muita seriedade, ainda que em uma estrutura de pequeno porte. “Foi realmente uma surpresa muito grande. Mais de 100 estudantes de várias universidades da Bahia participaram. Fazemos um jornalismo que está longe dos grandes centros, das grandes redes, então nossa formação de jornalismo é mais territorial, mais comunitária, ligada às questões que são muito importantes e que são urgentes na região da Chapada Diamantina, no que diz respeito às questões ambientais, à questões territoriais, e esse reconhecimento foi incrível porque nós tivemos a oportunidade de mostrar o que eles aprendem em sala de aula, mesmo com pouca estrutura, porque somos um campus pequeno, um curso pequeno. Nós pudemos mostrar a qualidade desses alunos e a seriedade deles na produção jornalística que deu origem a essas premiações, e esse reconhecimento foi incrível”, afirmou.

Juliana destacou ainda que os estudantes participaram de uma visita técnica em Luís Eduardo Magalhães, em setembro, conhecendo toda a cadeia produtiva do algodão. A partir dessa experiência, produziram reportagens sobre temas como mudanças climáticas, participação da mulher e questões ambientais.
Além disso, ela lembrou que o curso vem acumulando conquistas: prêmios do Sebrae, do Banco do Nordeste e, recentemente, o reconhecimento com o projeto “Narrativas que Salvam”, do Tribunal de Justiça da Bahia, recebido por Bores Júnior.
Profa. Juliana Almeida / Foto: Acervo Pessoal
O estudante, que levou três premiações em 2025, celebrou o reconhecimento. “Foram três premiações: uma pelo Tribunal de Justiça da Bahia com a reportagem em texto ‘Violência contra a mulher do campo: marcas que não se vêem’, outra pelo Prêmio Abapa, com um texto sobre mudanças climáticas no Oeste baiano e o podcast que ficou em primeiro lugar, também sobre mudanças climáticas”, contou.

“Isso significa, para mim, uma grande conquista porque mostra que o que eu venho fazendo está trazendo reconhecimento não apenas pela Universidade, mas fora dela. Mesmo que eu não seja da Chapada, a Chapada de alguma forma está em mim, acredito que já faço parte da Chapada, seja com o que eu defendo nela, seja com que eu aprendo com ela. Eu acredito que estar na Chapada me estimula a fazer um jornalismo que contribua para o território, um jornalismo popular, que saiba pautar as necessidades do território”, completou.
Mais do que troféus, os prêmios representam o reconhecimento de um jornalismo que nasce longe dos grandes centros, mas que se afirma pela qualidade, relevância e compromisso com a comunidade.
Ananda Azevedo | Fotos: Acervo pessoal


