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Venezuela: ataques dos EUA, captura de Maduro e reação internacional

Trump anuncia captura de Nicolás Maduro; Lula condena ação e pede resposta da ONU.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no sábado (3) uma ofensiva militar em larga escala contra a Venezuela. Segundo o mandatário, Caracas e outras cidades foram atingidas por ataques aéreos e terrestres. Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que a operação foi bem-sucedida e que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e retirados do país.

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, repudiou a presença de tropas estrangeiras e classificou o ataque como “vil e covarde”. Ele pediu ajuda internacional e reforçou que o país se reserva o direito de exercer legítima defesa, conforme o Artigo 51 da Carta das Nações Unidas.

Nos últimos meses, os Estados Unidos já haviam realizado bombardeios contra embarcações nas águas do Caribe. Trump acusa Maduro de liderar uma organização criminosa voltada para o tráfico internacional de drogas, mas não apresentou provas. Maduro, por sua vez, sempre negou envolvimento e buscou apoio de organismos internacionais.

Reação internacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou na manhã deste sábado, condenando a ação militar e cobrando uma resposta firme da ONU. “A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado. A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e ameaça a preservação da região como zona de paz”, declarou Lula.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também acusou Maduro de chefiar uma organização narcoterrorista, sem apresentar evidências.

Em comunicado oficial, o governo venezuelano denunciou a “gravíssima agressão militar perpetrada pelos Estados Unidos” e afirmou que o objetivo da ofensiva é apoderar-se dos recursos estratégicos do país, especialmente petróleo e minerais. Segundo autoridades locais, localidades civis e militares em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira foram atingidas.

A diplomacia venezuelana informou as denúncias ao Conselho de Segurança da ONU, ao secretário-geral António Guterres, à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e ao Movimento dos Países Não Alinhados (MNOAL).

Mobilização interna

O governo de Caracas convocou forças sociais e políticas a se mobilizarem contra o ataque. “O povo da Venezuela e sua Força Armada Nacional Bolivariana estão mobilizados para garantir a soberania e a paz”, diz o comunicado. A vice-presidente Delcy Rodríguez pediu a libertação imediata de Maduro e declarou que “a Venezuela não voltará a ser colônia”.

Trump promete administrar a Venezuela

Em coletiva, Trump afirmou que os EUA vão administrar a Venezuela até uma “transição segura” de governo. Ele também declarou que empresas norte-americanas passarão a controlar o setor petrolífero venezuelano, que possui as maiores reservas comprovadas do planeta. O presidente norte-americano ameaçou ainda uma segunda onda de ataques caso haja resistência.

Críticas internas nos EUA

O jornal The New York Times publicou editorial classificando o ataque como ilegal e denunciando que a ação se insere em uma nova doutrina de segurança da Casa Branca para dominar a América Latina. O periódico rejeitou as acusações de narcotráfico contra Maduro e apontou que a justificativa mais plausível para a invasão está na Estratégia de Segurança Nacional recentemente divulgada por Washington.

O Congresso americano se disse “enganado”, afirmando que em reuniões recentes os planos de invasão teriam sido negados repetidamente, bem como os planos de mudança de regime não seriam o foco do governo. Na coletiva de imprensa que o presidente americano deu no sábado, 3, a resposta a esse questionamento foi a falta de confiança no Congresso. “O Congresso tem uma tendência a vazar”, disse Trump.

Risco regional

A reação dos países latino americanos que se manifestaram tem um ponto em comum, reforçado pela análise de especialistas. O alerta é que a invasão militar e a captura de Maduro representam um risco para toda a América Latina, violando normas internacionais e o princípio da autodeterminação dos povos.

Ananda Azevedo com informações de Agência Brasil | Foto: Montagem Chapada News

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