Apesar da queda em relação ao ano anterior, especialistas alertam para subnotificação e cultura patriarcal que sustenta a violência.
A Bahia registrou 103 casos de feminicídio em 2025, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Apesar da redução de 6% em comparação ao ano anterior, o estado ocupa a quarta posição no ranking nacional desse tipo de crime. No Brasil, foram contabilizados 1.470 feminicídios no mesmo período.

Especialistas apontam que os números podem não refletir integralmente a realidade, devido à subnotificação. Para Darlene Andrade, professora do Departamento de Estudos de Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e psicóloga, há falhas na forma como os casos são classificados. “Alguns registros acabam não trazendo essa conotação. A forma como os casos são notificados acaba sendo reflexo de uma cultura que ainda não reconhece completamente esse tipo de violência contra as mulheres”, afirmou.
Definido pelo Código Penal como assassinato de mulher por razões da condição de sexo feminino, o feminicídio é um qualificador do crime de homicídio, com penas que podem chegar a até 40 anos de prisão. Apesar da gravidade dos números, Andrade reconhece avanços trazidos pela Lei do Feminicídio e pelo aumento dos debates sobre o tema. “Reforçar que é um tipo de assassinato específico é muito importante para visibilizar que as mulheres têm sido mortas por serem mulheres. Muitos feminicídios acontecem depois que a mulher termina um relacionamento. Elas são mortas por ex-companheiros, de forma brutal”, destacou.
A professora ressalta que a crueldade presente em muitos casos expressa uma mensagem cultural de dominação. “Essa brutalidade diz: ‘seu lugar não é aqui, você tem que fazer o que eu mando, ser subordinada a mim’. São crimes que carregam um teor de ódio expresso”, argumentou.
Grande parte das ocorrências é cometida por companheiros, maridos ou ex-companheiros. Para a pesquisadora, a raiz do problema está em uma cultura patriarcal que valida a dominação masculina nas relações afetivas. Ela enfatiza que não se trata de uma questão patológica, mas de um padrão socialmente construído. “Não existe um perfil exato de agressor, não é patológico. Todos os homens têm esse potencial porque são criados em uma cultura que valida comportamentos violentos”, concluiu.
De acordo com a Polícia Civil, este número total de feminicídios do ano passado é 6,3% menor que o contabilizado em 2024. “Lançamos no final do ano de 2025 o Baralho Lilás, ferramenta que expõe agressores procurados pela Justiça. Queremos fortalecer cada vez mais a rede de proteção, visando ampliar a redução da violência de gênero”, destacou o secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner.
Fonte: Bahia Notícias | Foto: Andrea Piacquadio/pexels


