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Projeto de Seabra conquista segundo lugar no Prêmio Cidadania Digital em Ação

Iniciativa da professora Tatiana Santos Oliveira une gerações com jogos didáticos sobre boas práticas online e ganha destaque nacional; premiação aconteceu em São Paulo.

Além de ser marcada pelo Dia da Internet Segura no Brasil, a data de 10 de fevereiro também será lembrança de um momento de muito orgulho para o Colégio Estadual Filinto Justiniano Bastos, em Seabra, na Chapada Diamantina. A escola voltou a brilhar no cenário nacional da educação digital, agora com o projeto da professora Tatiana Santos Oliveira, que ficou em segundo lugar na terceira edição do Prêmio Cidadania Digital em Ação, promovido pela SaferNet Brasil em parceria com o governo do Reino Unido. A premiação aconteceu durante o evento principal do Dia da Internet Segura, em São Paulo.

A escola já havia conquistado o primeiro lugar na edição anterior, em 2025, e, desta vez, apresentou uma proposta inovadora que une gerações em torno da cidadania digital. O trabalho foi desenvolvido com estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do povoado do Angico, zona rural da cidade, na turma equivalente ao 3º ano do Ensino Médio.

Entre as criações estão jogos didáticos voltados para diferentes públicos. Um Baralho Digital com perguntas e desafios sobre boas práticas online, o Semáforo Digital, voltado para adultos e idosos que utiliza cores para orientar comportamentos na rede e o Jogo da Memória “Sinal de Alerta Digital”que aborda um tema de alta relevância no cenário nacional atual: a violência sexual nas redes sociais.

Tatiana recebeu o prêmio acompanhada da aluna Edicelma Alves de Sá e da gestora da unidade escolar Águida Rodrigues de Araújo. Essa última serviu de referência para que Tatiana levasse adiante um projeto nesse segmento educacional, muitas vezes menos favorecido com projetos de educação. “Nossa gestora, que foi estudante no turno noturno no Filinto, cursou a graduação, concluiu o mestrado e hoje é diretora da instituição. Uma trajetória que reafirma que a educação transforma vidas e que a EJA é, sim, um espaço de possibilidades, recomeços e sonhos possíveis”, escreveu Tatiana.

A EJA é fundamental para promover a inclusão social, reduzir desigualdades e reparar a exclusão escolar, permitindo que pessoas retomem estudos e concluam a educação básica, aumentando a chance de reinserção no mercado de trabalho, aumento de renda e contribuindo para formação de consciência crítica e para uma participação mais ativa dessas pessoas na sociedade. “Para os meus estudantes da Educação de Jovens e Adultos, essa conquista representa muito mais do que um prêmio: representa reconhecimento, valorização e protagonismo. Representa a certeza de que suas vozes importam e o quanto a Educação de Jovens e Adultos é importante”, explicou a professora.

Ganhando ainda mais significado, os materiais produzidos pelos estudantes foram entregues à Universidade Aberta da Terceira Idade, no campus da Uneb em Seabra, fortalecendo o caráter intergeracional da iniciativa.

Premiação

Nesta edição, a SaferNet recebeu 54 inscrições de projetos de todo o Brasil. Após uma semifinal com voto popular no Instagram, nove finalistas foram avaliados por um júri que considerou qualidade, criatividade e diversidade regional. Além de Seabra, chegaram à final projetos de Campo Formoso (BA) e Januária (MG).

Os vencedores receberam notebooks, leitores digitais, pulseiras digitais, troféus e medalhas. A premiação reforça a relevância da Educação Digital, que em 2026 passa a ser obrigatória no currículo escolar brasileiro.

A professora Tatiana reitera que conquistar o pódio do Projeto Cidadania Digital na Educação de Jovens e Adultos contribuiu para a quebra de estereótipos construídos sobre estudantes do Nordeste, do campo, quilombolas e indígenas. “Mostrou que esses educandos são capazes de aprender, ensinar, criar e transformar realidades. Receber o Prêmio Cidadania Digital em Ação é uma conquista grandiosa para nossa escola, para nossos educandos e para toda a comunidade escolar”, concluiu.

Com mais uma conquista, Seabra reafirma seu protagonismo na construção de práticas pedagógicas inovadoras e inclusivas, mostrando que a cidadania digital pode ser aprendida e compartilhada em qualquer idade.

Ananda Azevedo | Fotos: Acervo pessoal Tatiana Oliveira

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