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Outono traz mudanças climáticas e ambientais na Bahia

Estação iniciada nesta sexta-feira (20) altera regime de chuvas e comportamento da fauna e flora, com impactos na Chapada Diamantina e outros territórios.

A chegada do outono, que se estende até 21 de junho, marca uma fase de transição importante para o clima e os ecossistemas da Bahia. Mais do que uma mudança no calendário, o período reorganiza o regime de chuvas, influencia padrões de temperatura e provoca adaptações na biodiversidade, especialmente em áreas como a Chapada Diamantina.

Com dias mais curtos e noites mais longas, a estação favorece o aumento de dias nublados e chuvosos, o que contribui para uma leve queda nas temperaturas, embora o clima siga predominantemente quente. Na Bahia, o outono representa uma inversão nos padrões de precipitação: enquanto o Centro-Oeste entra na fase final do período chuvoso, o litoral, incluindo Salvador e o Recôncavo, passa a registrar os maiores volumes de chuva do ano.

Segundo análise do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), entre março e maio de 2026, o centro-leste do estado deve ter chuvas dentro da normalidade ou abaixo da média, enquanto o oeste pode enfrentar volumes menores que o esperado. As temperaturas, por sua vez, tendem a permanecer acima da média em toda a região Nordeste.

A meteorologista Cláudia Valéria, do Inema, ressalta que o comportamento climático não é homogêneo. “O outono na Bahia não se comporta de forma homogênea. Enquanto algumas áreas entram em uma fase mais seca, outras passam a concentrar os maiores acumulados de chuva do ano. Esse contraste reforça a importância do monitoramento contínuo, tanto para a gestão de recursos hídricos quanto para a prevenção de impactos associados às chuvas mais frequentes”, explica.

Na Chapada Diamantina, as mudanças também se refletem na vegetação e na fauna. Plantas podem perder parte da cobertura foliar para economizar energia e água, enquanto espécies como orquídeas e bromélias florescem, mantendo os ciclos ecológicos ativos. Já os animais intensificam a busca por alimento e ajustam seus padrões de atividade, tornando-se mais ativos em períodos crepusculares ou noturnos. A redução da oferta de flores, por exemplo, impacta polinizadores como as abelhas nativas sem ferrão.

De acordo com Mara Angélica dos Santos, coordenadora de Gestão da Biodiversidade do Inema, o outono é estratégico para o equilíbrio dos ecossistemas. “O outono é uma fase estratégica para a biodiversidade. Mesmo diante da redução de recursos em alguns ambientes, a natureza responde com adaptações importantes, tanto na vegetação quanto no comportamento da fauna. Compreender esses ciclos é essencial para fortalecer ações de conservação e manejo sustentável”, afirma.

O coordenador de Gestão de Fauna do Inema, Alberto Vinicius Dantas, alerta para a convivência responsável com animais silvestres, já que algumas espécies podem ampliar suas áreas de circulação e se aproximar de zonas urbanas. “É fundamental evitar qualquer intervenção direta e acionar os órgãos ambientais, garantindo a segurança dos animais e da população”, orientou.

Ao reunir mudanças no clima, na vegetação e no comportamento da fauna, o outono se consolida como um período-chave para compreender os ciclos naturais da Bahia. O acompanhamento dessas transformações é essencial para orientar políticas públicas, fortalecer a gestão ambiental e promover o uso sustentável dos recursos naturais, com reflexos diretos na conservação da biodiversidade da Chapada Diamantina e em todo o estado.

Fonte: Ascom/Inema | Foto: Matheus Lemos/Inema

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