Dia marca celebração, mas também a necessidade de preservação.
Neste sábado, 11, a Bahia comemora o Dia da Chapada Diamantina, data oficializada em 2018 para homenagear uma das regiões mais icônicas do estado. A escolha da data remete a 1966, quando o município de Seabra se consolidou como centro administrativo e político da área, marcando o início de uma nova fase de organização territorial. Mas além das paisagens de tirar o fôlego, essa celebração destaca a rica identidade e a contribuição humana que moldou a Chapada muito antes do turismo moderno e do grande destaque que vem sendo dado ao garimpo na região.
Tesouro sim, mas geológico e biológico
Localizada no centro da Bahia, a Chapada Diamantina é uma vasta região de serras e planos que abrange mais de 40 mil km², incluindo o Parque Nacional da Chapada Diamantina, criado em 1985. Suas características geológicas são impressionantes: cânions profundos, montanhas como o Pico do Barbado (o mais alto do Nordeste), grutas cristalinas, mas também águas escuras avermelhadas de rios que nascem ali, abastecendo diversas bacias hidrográficas.
A vegetação mescla caatinga semiárida, mata atlântica remanescente, e cerrado e algumas espécies emblemáticas de sua flora são bromélias, orquídeas e sempre-vivas, que sustentam uma fauna diversa com aves endêmicas, felinos e primatas, alguns deles, como o macado-guigó, que só existem em dois estados brasileiros. Além disso, insetos, fungos e uma enorme diversidade de formas de vida coexistem na região.
Ecoturismo que encanta o mundo
O turismo é um dos motores econômicos atuais, atraindo milhares de visitantes por ano. Lençóis, Palmeiras e outras cidades são bases importantes, com pousadas, agências e restaurantes, Vale do Capão, Mucugê e Ibicoara também brilhamno universo dos amantes da natureza e ecoturismo.
Há alguns destaques como a Cachoeira da Fumaça , uma das mais altas do país, o Morro do Pai Inácio, ponto panorâmico com vista para cânions, cachoeiras e grutas como o Poço Azul, a Pratinha, Encantado e a cachoeira do Buracão, entre diversas outras, trilhas épicas como o Vale do Pati, um dos mais belos trekkings do Brasil, com dezenas de quilômetros de caminhada em mata preservada.
Riqueza humana: indígenas, quilombolas e o legado antes do garimpo
Antes da febre mineral, a Chapada já pulsava com vida ancestral. Evidências arqueológicas datam a presença humana há aproximadamente 12 mil anos, com pinturas rupestres e fósseis em sítios como o da Toca do Boqueirão. Povos indígenas do tronco macro-jê, conhecidos como tapuias (como os maracás) e payayás, habitavam vales e serras, conhecendo os segredos da região, inclusive os diamantes.
Com a colonização portuguesa no século XVIII, veio o garimpo de ouro em Rio de Contas e Jacobina, seguido pela descoberta de diamantes em 1844, que “repovoou” a região com aventureiros e pessoas em busca de uma vida melhor.
Mas aqui, os quilombolas já formavam comunidades resistentes, fugindo da escravidão. Quilombos como Remanso, Iúna e Fazenda Velha, no entorno do Marimbus (pantanal), são exemplos vivos dessa herança.
Hoje, o povo da Chapada – indígenas, quilombolas, ex-garimpeiros, sertanejos – é sua maior riqueza. São história viva, com seus guias, artesãos e artesãs, contadores de histórias e guardiãs e guardiões da cultura.
Comunidades quilombolas lutam por titulação de terras contra conflitos socioambientais, preservando modos de vida ameaçados pelo avanço do agronegócio, mineração e megaempreendimentos de energia renovável. Com isso, buscam garantir também a preservação dos modos de vida que sustentaram a Chapada durante tantos e tantos anos. Como dizem ativistas locais, “a Chapada é preta e indígena. Não podemos esquecer isso.”
Nesta data, a celebração convida não só a admirar a natureza, mas a valorizar os povos que a tornam viva. A Chapada Diamantina segue como símbolo de resistência e beleza eternas.
Com informações de ICMBio, OCA Chapada Diamantina e Guia Chapada Diamantina | Foto: Marcelo Issa/Photrilha


