Evento reuniu cerca de 4 mil pessoas neste domingo (26) com foco em tradições culturais e formação cidadã; programação incluiu mais de 50 apresentações culturais e religiosas.
O município de Seabra, localizado no coração da Chapada Diamantina, viveu um domingo (26) de intensa celebração e resgate histórico com a 20ª edição do Encontro de Cultura e Fé. Realizado entre as 8h e 18h na Comunidade de Olhos D’Água do Basílio, anfitriã deste ano, o evento consolidou sua posição como um dos mais tradicionais da região, mantendo viva a herança de manifestações como os batuques, cantigas de roda, bandas de pífano e os grupos de Reisado e capoeira, entre outras apresentações escolares, de grupos religiosos e de dança.
Idealizado originalmente pelo mestre Griô e líder quilombola Sr. Jaime Cupertino, o encontro é hoje coordenado por uma comissão permanente liderada pelo professor e pesquisador Lauro Roberto Ferreira Oliveira. A festa deste domingo foi a culminância de um ciclo formativo de três meses, que envolveu jovens da localidade em oficinas sobre protagonismo juvenil, empoderamento feminino, meio ambiente e preservação cultural.
Impacto Social e Cidadania
Para além das apresentações artísticas, o evento se destaca pela defesa dos direitos sociais. A organização utiliza o encontro como plataforma de formação cidadã, dialogando com o poder público para garantir melhorias em infraestrutura, como iluminação, estradas e saúde para as comunidades rurais que sediam os eventos. Embora conte com o apoio da Prefeitura de Seabra e tenha recebido a presença do prefeito Neto da Pousada, os organizadores reforçam o caráter apartidário da iniciativa.
O público deste ano foi estimado em cerca de três a quatro mil pessoas ao longo do dia que prestigiaram mais de 50 apresentações de grupos culturais e populares que ganharam espaço para celebrar e apresentar suas manifestações artísticas. De acordo com o professor Lauro, o evento é uma verdadeira festa da cultura popular.
“É uma festa que traz a força da cultura popular; não teria nenhum outro palco que poderia ter essas apresentações. No São João ou nas outras festas, não tem espaço para esses artistas que estão se apresentando aqui”, ressaltou Lauro ao também destacar comunidades de Seabra, Boninal, Souto Soares, Barra do Mendes e até mesmo de Feira de Santana e Salvador, que estiveram presentes no evento.
O encontro reafirma a força do coletivo e a importância de enaltecer as raízes da Chapada Diamantina, lembrando aos moradores de seus direitos e da relevância de ocupar espaços artísticos e preservar a memória, a cultura e a identidade das populações e comunidades pela Bahia.
Confira as imagens da fotógrafa Mariele Souza.

















Ananda Azevedo | Fotos: Mariele Souza


