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Morre aos 86 anos o cineasta baiano natural de Lençóis Orlando Senna, ícone do cinema nacional

Realizador de “Iracema – Uma Transa Amazônica” e ex-secretário do Audiovisual faleceu nesta terça-feira (9); causa da morte não foi divulgada.

O cinema brasileiro perdeu nesta terça-feira (9) um de seus maiores expoentes. O cineasta, roteirista e gestor cultural Orlando Senna morreu aos 86 anos. A notícia foi confirmada por familiares e pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA). Natural de Lençóis, na Chapada Diamantina, Senna teve uma trajetória de mais de cinco décadas marcada pela inovação estética e pelo compromisso com as políticas públicas de cultura.

Nascido no distrito de Afrânio Peixoto, Orlando Senna iniciou sua carreira na Bahia como assistente de Roberto Pires em Tocaia no Asfalto. Ao longo dos anos, consolidou-se como uma figura central do audiovisual, dirigindo obras fundamentais como “Iracema – Uma Transa Amazônica” (1975), codirigida por Jorge Bodanzky. O filme, que mescla ficção e documentário para criticar os impactos da Transamazônica, tornou-se um marco de resistência e enfrentou a censura durante a ditadura militar.

Além de sua produção artística, que inclui filmes como Gitirana e Diamante Bruto, Senna foi um influente formulador de políticas públicas. Ocupou o cargo de Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura durante a gestão de Gilberto Gil (2003) e foi diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) entre 2007 e 2008, onde participou ativamente da criação da TV Brasil. Sua contribuição acadêmica também foi notável, tendo dirigido a prestigiada Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de los Baños, em Cuba.

Em nota oficial, a SecultBA e a Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) lamentaram a perda: “A Bahia e o Brasil perdem uma importante referência da cultura, do cinema e da gestão cultural. Orlando Senna construiu uma trajetória marcada pela contribuição ao cinema nacional e à valorização das narrativas e identidades brasileiras”.

Orlando Senna era viúvo da documentarista Conceição Senna. Sua última aparição pública ocorreu no último domingo (7), em uma sessão de cinema no CCBB Rio de Janeiro.

Confira a nota de pesar da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia na íntegra:

A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), por meio da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) e da Diretoria de Audiovisual (DIMAS), lamenta o falecimento de Orlando Senna, cineasta, escritor, gestor cultural baiano e um dos principais nomes do audiovisual brasileiro.

Nascido em Lençóis, na Chapada Diamantina, Orlando Senna construiu uma trajetória marcada pela contribuição ao cinema nacional, à formulação de políticas públicas para o setor e à valorização das narrativas e identidades brasileiras. Integrante da geração do Cinema Novo, participou de mais de 30 produções audiovisuais e tornou-se uma referência para diferentes gerações de realizadores no país.

Ao longo de décadas de atuação, destacou-se pelo compromisso com a democratização do acesso à cultura, pela defesa do audiovisual brasileiro e pelo fortalecimento institucional do setor, ocupando importantes funções na gestão cultural e contribuindo para o desenvolvimento de políticas voltadas à produção e difusão do cinema nacional.

Sua atuação deixou marcas significativas na cultura brasileira, tanto por meio de suas obras quanto de seu pensamento e dedicação à formação e ao incentivo de novos profissionais do audiovisual.

A Bahia e o Brasil perdem uma importante referência da cultura, do cinema e da gestão cultural. A SecultBA e a Funceb solidarizam-se com familiares, amigos, colegas e admiradores neste momento de despedida.

Fonte: Correio*/SecultBA | Foto: Reprodução SecultBA

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