CN

Feminicídios em Rio de Contas mobilizam atos públicos

Movimento Rio de Mulheres Vivas promoveu manifestações na feira livre e no estádio municipal após assassinatos de duas mulheres na cidade.

O município de Rio de Contas, na Chapada Diamantina, foi palco de mobilizações contra a violência de gênero nos últimos dias. Organizado pelo movimento Rio de Mulheres Vivas, dois atos públicos reuniram dezenas de pessoas na feira livre da cidade e, no dia seguinte, no Estádio Pequizão, durante uma partida do Campeonato Rio-Contense.

A iniciativa surgiu como resposta direta à morte de duas mulheres na cidade, crimes que acenderam o alerta da comunidade local. Com cartazes, faixas e discursos, as participantes chamaram a atenção da população para o avanço dos feminicídios e para a necessidade de prevenção e enfrentamento à violência doméstica.

Realizado na manhã de sábado, 11, na principal feira livre de Rio de Contas, ponto de encontro tradicional da cidade, o primeiro ato deu voz à diversas mulheres que pegaram o microfone para denunciar o machismo, a cultura de posse sobre o corpo feminino e as violações cotidianas.

A família das vítimas estaria presente, mas seguiu orientação de não se manifestar publicamente para não comprometer as investigações. Momentos de emoção marcaram a atividade, com relatos de mulheres que já haviam sofrido violência doméstica, física ou psicológica.

O movimento contou com a presença do prefeito, que ouviu as demandas e reafirmou o compromisso da administração municipal, ainda sem detalhar as ações. Também participaram gestoras como a secretária de Assistência Social, Lindaura Silva; a secretária de Saúde, Carla Fabrícia; a coordenadora de Turismo, Elaine Novais; além de representantes do movimento negro, como Mara Pau-Ferro, que fez uma apresentação musical e um discurso de resistência.

“Foi muito bom; esse movimento está sendo organizado principalmente pela sociedade civil, mas com muita presença de mulheres que estão na gestão pública. Então a gente tem muita esperança que algo se transforme, que a gente consiga frear imediatamente esse tipo de crime e a violência de uma forma geral contra a mulher”, comemorou uma das organizadoras.

As organizadoras anunciaram a realização de uma audiência pública nos próximos dias, com representantes dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, momento que deverá contar com o apoio da promotora do Ministério Público da região de Livramento e deve incluir representantes de todas as secretarias municipais, além de uma representante da Secretaria de Proteção da Mulher do Estado da Bahia.

Segundo ato no estádio busca conscientização masculina

No domingo, 12, o movimento levou a mensagem ao Estádio Municipal Zofir Brasil (Pequizão). Os jogadores entraram em campo com faixas e cartazes, e foi realizado um minuto de silêncio pelas duas mulheres assassinadas. O foco foi dialogar diretamente com o público masculino, em um alerta sobre a responsabilidade dos homens no enfrentamento à violência.  “Estar no campo de futebol mostra que agir e realizar esse encontro focado num diálogo com os homens é um alerta”, disse uma das organizadoras.

“É duro, mas a gente tem que ir para a rua porque mulheres estão morrendo. Muito triste”, completou.

Ananda Azevedo com informações da organização | Fotos: Caio Baganha

Compartilhe

POSTS RELACIONADOS

plugins premium WordPress Pular para o conteúdo