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Palmeiras: Agosto Lilás começa com diálogo e reverência às redes colaborativas de mulheres

Primeira roda de conversa reuniu estudantes, artistas locais e coletivos; agenda de agosto prevê cinco encontros sobre enfrentamento à violência contra a mulher.

A cidade de Palmeiras, na Chapada Diamantina, deu início no dia 4 de agosto à sua programação do Agosto Lilás, mês dedicado ao enfrentamento da violência contra a mulher. O primeiro encontro aconteceu na Câmara Municipal, promovido pela vereadora Elce Emanuela, a Pró Manu, com a participação de estudantes do município, integrantes do Grêmio Estudantil e representantes diversos coletivos da cidade.

De acordo com os organizadores, o mês ganha mais simbolismo neste ano, já que a Lei Maria da Penha acaba de completar 20 anos, tendo sido sancionada em 7 de agosto de 2006. A iniciativa busca trazer um olhar acolhedor para um tema sensível, considerando que o município registra casos de agressões e abusos de diferentes naturezas, vindo ao conhecimento público por meio de denúncia ou não.

A proposta é realizar encontros semanais ao longo de agosto, cada um dedicado a uma temática. O primeiro teve como eixo a rede colaborativa, reunindo representações de instituições e coletivos locais, como o Grupo Acolher, que atua com famílias atípicas, buscando melhorias nas áreas de saúde e educação e fortalecimento jurídico e psicológico, a Escola Murundu, de pedagogia Waldorf, que atende crianças atípicas e em vulnerabilidade econômica no bairro Jason Alves (Casinhas), e artistas locais, com apresentações de Enia Ramos e Conrado Falco, além de uma performance de teatro e música com Kátia Lanto.

O distrito do Vale do Capão também esteve presente com representantes do Coletivo Capão, Escola Quintal dos Sonhos e da Campanha Ambiental. A ideia central é mobilizar a comunidade a partir da união de pessoas e da escuta ativa, valorizando o protagonismo juvenil e a formação de novas lideranças.

Um dos temas em discussão na Câmara é a necessidade de criação da Procuradoria da Mulher no município, ainda não instituída. O projeto, de autoria da vereadora, foi apresentado na Câmara, mas não foi aprovado.

Representando a Escola Quintal dos Sonhos e os coletivos do Vale do Capão, Manjula Paula falou da importância desse movimento e, especialmente, do protagonismo juvenil na organização do evento.

“É fundamental nos unirmos para que a gente possa, enfim, mobilizar a comunidade e trazer melhorias para o coletivo a partir da união de pessoas”, ressaltou.

De acordo com a educadora, foi muito especial ouvir dos estudantes o que eles sonham para sua cidade e suas vidas, e discutir esses temas com pessoas de grande relevância no município.

Programação das próximas semanas

A agenda segue com encontros temáticos: Papo Jovem, voltado à juventude (em referência ao Dia do Estudante e ao Dia da Juventude); Identidade Campesina, com a participação de anciãs de comunidades quilombolas de Tejuco, Corcovado e Serra Negra; Empreendedorismo Feminino; e um encerramento com a Procuradoria da Mulher, o Comitê de Mulheres da Chapada Diamantina e a Delegacia de Mulheres, inaugurada há cerca de dois meses em Seabra.

Ao final do ciclo, a expectativa é construir um documento com as reflexões e demandas levantadas, a ser encaminhado à Secretaria de Políticas para as Mulheres, para que a comunidade se faça ouvir de forma estratégica e contando com outras esferas da gestão pública, tanto estadual quanto federal.

Ananda Azevedo | Fotos: Divulgação (disponibilizadas por Pró Manu)

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