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Chapada Diamantina celebra o terroir que produz grãos premiados no Dia Internacional do Café

Território abriga a cidade mais alta do Nordeste e concentra cafés premiados, tem Denominação de Origem reconhecida pelo INPI e um terroir que combina altitude, clima e formas de colheita manual.

Celebrada desde 2015, a data de 1º de outubro foi instituída pela Organização Internacional do Café (OIC) como Dia Internacional do Café. A bebida que tem o coração dos brasileiros, na Chapada Diamantina é celebrada por pequenos produtores familiares que produzem o que júris internacionais já consideraram, em mais de uma ocasião, o melhor café do Brasil.

De acordo com os produtores, o grande segredo está na geografia. Como exemplo, a cidade de Piatã vem sendo o polo mais celebrado da região. É a cidade mais alta do Nordeste brasileiro, e cultiva cafezais plantados entre 1.260 e 1.500 metros de altitude. Na Chapada como um todo, estima-se que os cultivos variam entre 900 e 1.300 metros, em solos ricos em minerais. O ar mais rarefeito possibilitado pela altitude mais elevada associado às temperaturas mais amenas fazem com que o fruto do café amadureça mais lentamente, o que faz  o grão acumular mais açúcares e desenvolver acidez mais complexa.

No entanto, na questão da temperatura, um fator mais determinante completa o quadro: o contraste térmico, ou seja, dias ensolarados e noites frias de serra fazendo que a planta preserve os precursores de sabor pelo tempo de descanso. O resultado, na xícara, é um café diferenciado que, além de encorpado, adocicado e de acidez cítrica, ainda pode ter notas de nozes, chocolate, frutas vermelhas e mel, além de final prolongado, descrição que consta do próprio reconhecimento oficial da região.

O fator humano

Tudo isso existe e tem nome: terroir, esse conjunto único de fatores. Porém, não basta. Segundo o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a qualidade do café da Chapada Diamantina resulta da combinação tanto dessas variáveis ambientais (altitude, temperatura) como das variáveis humanas. A forma de cultivo, o manejo pós-colheita e as práticas transmitidas entre gerações de cafeicultores familiares também conta muito.

Diferente das grandes lavouras mecanizadas do Centro-Sul, a colheita na Chapada é seletiva e manual, de acordo com os produtores, apenas os grãos “cereja”, no ponto exato de maturação, são retirados dos pés. Depois, na secagem lenta em terreiros suspensos, os grãos passam por um cuidado artesanal a que se atribui também a pureza sensorial exigida pelo mercado de cafés especiais.

A ciência confirma: um estudo da Universidade Federal da Bahia (UFBA) identificou nos cafés da região teores elevados de ácidos orgânicos, ácidos clorogênicos e, principalmente, lipídios, o que, segundo o estudo, configura um perfil que distingue o café da Chapada de qualquer outra região produtora do país.

Premiações

A vitrine internacional veio com o Cup of Excellence, principal concurso de qualidade de cafés do mundo, realizado no Brasil pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). Em 2014, Piatã fez história ao conquistar as cinco primeiras colocações do 15º Cup of Excellence – Early Harvest Brasil.

Em 2022, o título voltou à Chapada: o café da Fazenda Tijuco, produzido por Antonio Rigno de Oliveira Filho, alcançou 91,41 pontos (de 100) e foi eleito o melhor do Brasil, o quarto campeonato da família Rigno, que se tornou a mais premiada da história da competição. O 2º lugar daquele ano, com 90,59 pontos, também era da Chapada Diamantina, o café produzido por Maridalton Silva Santana, no Sítio Bonilha, também em Piatã. Lotes campeões como esses já alcançaram preços recordes em leilão, chegando a dezenas de milhares de reais por saca.

No final de setembro de 2026, foram anunciados os pré-selecionados da competição deste ano e há mais de 10 pré-selecionados para as próximas fases do concurso, todos de Piatã.

Reconhecimento oficial: Denominação de Origem

Em outubro de 2024, o INPI concedeu ao café da Chapada Diamantina o registro de Indicação Geográfica na modalidade Denominação de Origem (DO), a primeira do estado da Bahia. O selo atesta que a qualidade do produto decorre diretamente do território e exige classificação mínima de 80 pontos na escala dos cafés especiais, além de rastreabilidade completa.

Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que apoiou o processo ao lado da Aliança dos Cafeicultores da Chapada Diamantina, a certificação pode até triplicar o valor do grão e abre novos mercados para os pequenos produtores. “Esse selo garante para o nosso café produzido aqui, nesse pedacinho do paraíso que é a Chapada Diamantina, um grande reconhecimento. Além de ser um lugar exuberante de natureza, a Chapada é exuberante também em produção agrícola e nós, pequenos agricultores, podemos dizer que produzimos um dos melhores cafés do mundo”, celebrou Tadeane Pires Matos, presidente da Aliança, na época do reconhecimento.

Os números da cafeicultura baiana

A Bahia é o quarto maior produtor de café do Brasil e responde por 99,4% de todo o café do Nordeste, segundo o painel Café em Números, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A safra estadual gira em torno de 4,4 a 4,7 milhões de sacas de 60 kg, com projeção de crescimento para 2026.

No contexto nacional, o Brasil exportou 40,04 milhões de sacas em 2025, gerando receita recorde de US$ 15,586 bilhões, o maior valor nominal da história, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O país responde por cerca de 37% da produção mundial e 28% do comércio internacional de café.

Com relação à Chapada, a produção é pulverizada entre centenas de pequenos produtores familiares. Boa parte dos lotes especiais é absorvida pelo mercado doméstico de cafés especiais, gourmet e por leilões internacionais de microlotes, que são mais valorizados por quilo do que as exportações a granel.

Ananda Azevedo | Foto ilustrativa: 1500m Coffee/Pexels

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