Escritor baiano Davi Boaventura circula pelo estado com oficinas, palestras e encontros sobre como começar um livro; atividade em Irecê integra roteiro que passa por Feira de Santana, Paulo Afonso e Lauro de Freitas, com acesso gratuito e certificação.
Como se começa um livro? O que é preciso fazer para transformar uma boa história em um projeto literário consistente? E, depois que o texto está pronto, quais são os caminhos possíveis para fazer esse livro chegar aos leitores? Tentando responder essas e outras perguntas do público, o escritor baiano Davi Boaventura vem circulando pelo estado desde o fim do mês de agosto com o projeto Caminhos da Literatura — Leitura, escuta e escrita com Davi Boaventura, promovendo oficinas, palestras e encontros sobre criação literária, sempre com acesso gratuito e, na maioria dos casos, emissão de certificado.
Neste mês de outubro, a iniciativa chega a Irecê, após realizar atividades formativas em outras três cidades baianas: Feira de Santana, Paulo Afonso e Lauro de Freitas. O projeto também conta com uma aula gratuita ao vivo no YouTube, trazendo, na plataforma de vídeos, uma versão pocket do minicurso O projeto do projeto: como se começa um livro?, com tradução em libras.
A proposta é aproximar leitores e escritores dos processos de criação literária, mas também trazer uma questão prática para o debate: como planejamento, técnica e conhecimento dos caminhos do mercado editorial podem fortalecer a produção e o mercado editorial no interior da Bahia?
“Muita gente tem uma boa história a contar, mas não sabe por onde começar ou como fazer o planejamento de um livro”, comenta Davi. “Esta formação busca, portanto, suprir uma lacuna de formação, garantindo aos participantes uma base que sustente e impulsione suas produções literárias”.

Sobre o projeto
O projeto, que foi contemplado pelo Edital Circulações Literárias da Bahia 2026, da Fundação Cultural do Estado/SecultBA, foi constituído a partir da própria experiência de Davi.
Doutor em Escrita Criativa pela PUCRS e graduado em Comunicação Social pela UFBA, Davi nasceu em Salvador e, após 11 anos vivendo fora do estado, retornou à Bahia em 2024. Autor de três livros — Talvez não tenha criança no céu (2012), Mônica vai jantar (2019) e 17 de abril (2021) —, ele reúne em sua trajetória, além da literatura, pesquisa, tradução, fotografia e consultoria literária.
Seu romance Mônica vai jantar, publicado pela editora gaúcha Dublinense, está em sua quinta tiragem e foi finalista dos prêmios São Paulo de Literatura, AGES e Minuano. A obra também ganhou versões em audiolivro e para o teatro e se tornou o segundo romance mais vendido da história da editora. É justamente a experiência de construir uma obra com esse percurso que Davi coloca em diálogo com os participantes. Em Mônica vai jantar, por exemplo, o autor passou quase cinco anos escrevendo e reescrevendo o texto. “Minha única meta era conseguir um livro cujo impacto não fosse apenas racional, que fosse um livro feito para mexer até com a respiração da pessoa lendo, em um exercício intenso de alteridade”, conta ele.
A formação
A proposta desta circulação literária parte de uma questão aparentemente simples, mas que costuma paralisar quem deseja começar a escrever: se existem tantas possibilidades de criação, por onde começar? Este é o mote do minicurso O projeto do projeto — como começar um livro?, em que, em quatro horas de encontro, o escritor apresenta ferramentas para ajudar os participantes a construir as bases de seus próprios projetos literários, tendo a personagem como elemento central do processo.
A formação aborda o início da escrita, mas também estimula práticas fundamentais para quem deseja desenvolver uma obra: leitura, escuta, observação, planejamento e construção de um projeto. A ideia não é ensinar uma fórmula para escrever livros. Ao contrário, Davi parte da compreensão de que não existe uma única maneira correta de produzir literatura, e o que a formação oferece são ferramentas para que cada participante possa encontrar seu próprio caminho.
“Existem várias formas de se escrever um livro, e certamente não existe uma forma ‘melhor’ do que a outra. Mas essa liberdade total também pode ser paralisante”, explica o escritor. Por isso, ele considera mais importante conhecer processos e caminhos que podem nos ajudar a “botar um texto em pé”.
As atividades formativas são destinadas a pessoas a partir de 16 anos, sem necessidade de qualquer tipo de pré-requisito, a não ser o interesse por literatura. Nas oficinas e minicursos, a proposta é trabalhar com turmas de até 20 participantes, podendo chegar a 25 inscritos em atividades realizadas no contexto de feiras literárias. Os bate-papos, palestras e encontros estão sujeitos à lotação dos espaços.
A circulação do projeto em Irecê acontece em dois espaços. No dia 30 de outubro, Davi ministra o minicurso no Instituto Federal da Bahia (IFBA), com certificação para os participantes e nos dias 29 e 30, também estará na programação da Feira Literária da Cooperativa Educacional de Irecê (FLICOP), com mesa dedicada ao processo criativo de Mônica vai jantar no dia 29.
Serviço
29/10 – Irecê – Mesa com o escritor: “O processo criativo de Mônica vai jantar” (horário a definir) Feira Literária da Cooperativa Educacional de Irecê (FLICOP)
30/10 – Irecê – Minicurso O Projeto do projeto — como começar um livro (14h às 18h/ IFBA – Campus Irecê (Rodovia BA-148, Km 04, nº 1800, Vila Esperança))
Com informações da assessoria/Bruno Machado | Foto destaque: Yaniza Maputo

