Iniciativa do Coletivo Angola das Matas reúne pesquisa, exibição de minidoc com depoimentos de três gerações de capoeiristas, oficinas, musicalidade e rodas protagonizadas por mulheres, abertas ao público.
Ancorado nos fundamentos da capoeira angola enquanto arte afro-brasileira de resistência, convivência comunitária e inclusão dos grupos subalternizados, o projeto “Era Eu, era minha mana” visa valorizar, difundir e incentivar a prática da capoeira no Vale do Capão, distrito de Palmeiras, na Chapada Diamantina, tendo como foco central a memória e o envolvimento de mulheres capoeiristas nesse território.
O projeto nasce no contexto da participação e do protagonismo cada vez mais efetivos das mulheres na capoeira, uma pauta central para o Coletivo Angola das Matas que, desde sua criação, orienta suas atividades e sua ética em torno dos legados históricos da capoeira enquanto prática inclusiva e libertadora, buscando criar um espaço aberto para todas e todos.

A pesquisa
Dessa forma, o coletivo buscou resgatar a história da capoeira no Vale do Capão, a partir das memórias das mulheres que participaram dos primeiros movimentos de prática e aprendizagem na comunidade, antes mesmo da pauta de gênero ser discutida.
A investigação também procurou responder como a capoeira surgiu e se disseminou nessa comunidade em uma época em que o cotidiano e a cultura local eram ritmados por tradições rurais. As perguntas norteadoras foram: quais eram as formas e as dinâmicas da prática da capoeira no Capão e seus modos de transmissão; o que mediou o acesso de mulheres e meninas à capoeira, e quais foram as experiências de inclusão que elas vivenciaram.
O objetivo foi mapear, registrar e difundir a história das mulheres capoeiristas do Vale do Capão, produzindo um acervo audiovisual de livre acesso e uma página web que preservasse as suas memórias.
O minidocumentário
A pesquisa resultou também na produção de um minidocumentário, construído a partir das memórias e experiências das mulheres capoeiristas da localidade. Foram convidadas Joanita Rocha, Vilma Araújo e Sonia Marques da Rocha, três mulheres nativas de diferentes gerações que fizeram parte da história da capoeira no Capão. Suas memórias e experiências tecem uma narrativa de como a capoeira chegou e se desenvolveu no vale.
A pesquisa que dá origem ao minidocumentário é mais ampla e também está sendo construída a partir das conversas com outras mulheres que fizeram parte dessa trajetória. Para as pessoas que se interessam pelo tema, há mais informações nas redes sociais e website do projeto: @eraeu.eraminhamana e https://www.eraeueraminhamana.com.br/.
O evento

No segundo momento do projeto, o registro audiovisual será exibido na abertura do evento, nesta sexta e sábado, 9 e 10, seguido de uma mesa de debate sobre as experiências das capoeiristas do Capão de ontem e de hoje. A discussão busca alargar o debate em torno das diversas opressões e discriminações que desafiam os caminhos da capoeira para se tornar um espaço que possa novamente “fazer comunidade”.
O debate tem como pano de fundo o crescimento do Vale do Capão, a diversificação da sua população, as profundas raízes da capoeira nessa comunidade e os desafios do viver juntos nesse contexto de mudanças.
E terá muita ginga nos dois dias: oficinas para adultos e crianças, musicalidade e rodas, com todas as atividades protagonizadas por mulheres capoeiristas. Confira a programação completa.
Programação
Sexta 9/10 Coreto da vila
17:00 Abertura
Exibição do documentário
17:30 Mesa de debate Memória, inclusão e interseccionalidade na Capoeira com Mestra Brisa, Vilma
Araujo, Cristine Zonzon e Alice Browne
19:00 Roda de capoeira
Sábado Colégio Rufino Rocha
9:00 Oficinas para crianças: capoeira angola com Cristine Zonzon e capoeira regional com
Franca Astete e Leny Pereira (Para crianças de 6 a 12 anos)
14:00 Oficina de movimento com Mestra Brisa
15:30 Oficina de musicalidade com Aline Silveira
17:30 Roda de encerramento
Serviço
Era Eu, Era Minha Mana
09 e 10 de outubro de 2026
Locais: Coreto da vila e Colégio Rufino Rocha
Cidade/território: Vale do Capão – Chapada Diamantina, Bahia
Entrada: Gratuita
Inscrições: Via link de inscrição disponível por meio das redes e website do projeto
Com informações da produção | Fotos: Juliana Mello

