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Ataques de cães deixam três feridos no Vale do Capão

Na mesma noite, três pessoas foram vítimas dos ataques; comunidade relata insegurança ao andar pelas ruas e risco de transmissão de doenças.

Moradores do Vale do Capão, na Chapada Diamantina, vivem momentos de apreensão após uma série de ataques de cães soltos na região. Entre a noite de quinta, 5, e madrugada desta sexta, 6, em pontos distintos de uma das principais ruas do Vale do Capão, três pessoas foram vítimas de dois cães. No caso mais grave, um homem que voltava do trabalho foi atacado e precisou entrar em luta corporal contra os animais, sofrendo diversos ferimentos.

Os relatos são de que o homem, que é guia credenciado na Associação de Condutores de Visitantes do Vale do Capão (ACVVC) e prefere não se identificar, estava caminhando por volta das 22h quando ouviu barulhos no mato e foi surpreendido pelos dois cães. O cachorro atacou por trás onde ele levava uma mochila e, ao se virar para se desvencilhar, foi atacado na direção do pescoço, usando os braços para se defender.

Diante das diversas mordidas e ferimentos graves nas mãos e braços, ele tentou fugir e foi seguido pelos cães enquanto gritava por ajuda. Os ataques só pararam quando um carro se aproximou para dar socorro. O homem foi levado ao Hospital Municipal de Palmeiras, onde recebeu cuidados médicos. Segundo esses relatos, os ataques envolveram um cão da raça pitbull e outro não identificado, conhecidos pela força e resistência física.

Imagens: acervo pessoal da família

O quadro de saúde dele é estável, mas terá que tomar diversos medicamentos e vacinas, além do tempo de repouso necessário, o que o impedirá de desenvolver seus trabalhos como guia e jardineiro. “É um trauma, não só fisicamente, mas para o psicológico da pessoa”, afirmou a filha, que faz também um alerta para a localidade que recebe muitos visitantes e onde muitas crianças andam sozinhas diariamente.

Fernanda Gomes Rocha é uma das vítimas. No seu caso, não precisou ir até a rua para sofrer os ataques, ela estava em casa quando, por volta das 3h, ouviu um barulho e percebeu a presença dos animais. Imaginando serem os cães de um amigo, acabou não percebendo o perigo e foi atacada também. Ela levou vários pontos no local do ferimento. O ataque à Fernanda aconteceu porque uma outra vítima tentava fugir dos cachorros quando pulou a cerca da sua casa buscando refúgio após sofrer as mordidas e foi seguida pelos animais que conseguiram passar, ainda que o portão estivesse fechado.

Situações recorrentes

A situação não é isolada. Relatos afirmam que há registros frequentes de ameaças e tentativas de ataque, em que os cães avançam contra pessoas mas não chegam a morder. Além disso, há relatos de invasões em quintais e casas, onde os animais atacaram cães e gatos, causando mortes e ferimentos em animais de estimação.

O problema se agrava pelo fato de não se saber quem são os donos dos cães. Muitos deles são criados soltos, sem controle ou supervisão, de forma que representam risco constante para toda a comunidade. “A gente não consegue andar tranquilo na rua, sempre com medo de ser surpreendido”, relatou um morador.

Além do perigo físico imediato, especialistas alertam para o risco de transmissão de doenças. Mordidas de cães podem causar infecções graves, como tétano e raiva, além de complicações decorrentes de bactérias presentes na saliva. Animais sem vacinação adequada também podem ser vetores de zoonoses, ampliando a preocupação dos moradores.

Providências

Na manhã dessa sexta, 6, tanto a Secretaria de Saúde quanto a Secretaria de Meio Ambiente foram acionadas e informaram estar tomando providências. A enfermeira da Secretaria de Saúde, Alessandra Lima, afirmou que a pasta repassou a situação para outras instâncias e que a Vigilância Sanitária estaria cuidando do caso. Acrescentou que será aberto um processo seletivo para castração de 700 animais, cuja licitação sairá no diário oficial em busca de empresas veterinárias, pensando no controle populacional dos animais do vale. Sobre o ocorrido, informou que “o trabalho da vigilância é ver essa incidência e monitorar casos, notificar as autoridades e realizar atividades educativas para a população que deixa cães soltos, entre outras variantes.”

No caso da pasta do meio ambiente, o secretário Aruanã Handjian informou que a prioridade seria identificar o dono, localizar o animal e repassar a demanda de captura para à Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (CIPPA), mas não soube informar se a guarnição já estava no vale ou sobre o sucesso da captura.

A comunidade cobra medidas urgentes das autoridades locais para identificar os responsáveis pelos animais e garantir segurança. Enquanto isso, o clima é de insegurança e medo, com famílias evitando circular livremente pelas ruas e reforçando cuidados com seus próprios animais de estimação.

Ananda Azevedo | Foto: Acervo pessoal Fernanda Rocha

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