Idealizado pelo coreógrafo Toni Silva, da Chapada Diamantina, projeto passa por Salvador, Itabuna, Irecê e Ibititá em julho de 2026 com foco na memória afro-brasileira.
Entre dança, música, poesia e ancestralidade, o espetáculo “Ibanujé – O Corpo como Memória Ancestral” convida o público a uma experiência sensorial e reflexiva sobre as heranças culturais afro-brasileiras. A obra, que propõe o encontro entre conhecimento acadêmico e experiência artística, destaca a potência do corpo como guardião de memórias coletivas e ferramenta de combate ao racismo e valorização da história negra.
Contemplado pelo edital Quarta que Dança, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), o espetáculo realizará quatro apresentações gratuitas durante o mês de julho de 2026. A programação, que inclui oficinas formativas e rodas de conversa, passará pelas cidades de Salvador (08/07), Itabuna (15/07), Irecê (22/07) e Ibititá (29/07).
Idealizado pelo historiador, coreógrafo e bailarino residente no Vale do Capão, Toni Silva, o espetáculo é fruto de uma trajetória dedicada à pesquisa das culturas afro-brasileiras. A dramaturgia é inspirada nos princípios simbólicos das tradições dos Orixás Oxum, Iansã, Ogum e Oxalá, traduzidos para uma linguagem cênica contemporânea.
Segundo Toni Silva, a criação parte da compreensão de que o corpo guarda histórias ausentes nos livros, mas presentes nos gestos, nos ritmos e nas experiências coletivas. “Dançar é ativar essas memórias e permitir que elas continuem vivas no presente, atravessando o tempo e se reinventando em cena como força de identidade, resistência e continuidade ancestral”, observa o coreógrafo.
A narrativa se desenvolve em três atos simbólicos, o primeiro, chamado “Ato I – Origem”, evoca as memórias dos povos africanos e da diáspora por meio de gestos, ritmos e movimentos inspirados nas danças sagradas dos terreiros. O ato celebra a permanência de saberes ancestrais que atravessaram gerações e continuam vivos na cultura afro-brasileira. O segundo ato “Corpo-Território” apresenta o corpo como espaço de inscrição da história, da fé, dos afetos e da resistência. Influenciado pela capoeira, pelo samba de roda e pelos toques dos atabaques, este momento revela o corpo como território de reconstrução identitária e pertencimento.
Já o Ato III intitulado “Axé: o Futuro Ancestral” encerra a trajetória, celebrando a potência criadora do corpo negro e a força da ancestralidade como energia que conecta passado, presente e futuro. É um convite à continuidade, ao fortalecimento comunitário e à valorização das múltiplas expressões da cultura afro-brasileira.
Acessibilidade e Formação
Comprometido com a democratização do acesso à cultura, o projeto oferece recursos de acessibilidade em todas as etapas da circulação. As rodas de conversa terão interpretação em Libras, e o público com deficiência visual poderá participar de uma visita sensorial ao espaço cênico (30 minutos antes de cada sessão, sob solicitação). Além disso, estarão disponíveis abafadores de ruído para pessoas autistas ou com sensibilidade sensorial.
As atividades formativas buscam aprofundar temas como a dança afrodiaspórica e o papel da arte na transformação social, fortalecendo os vínculos entre a produção artística e a comunidade escolar e cultural de cada município visitado.
Sobre o idealizador

Natural de Ibititá, na Chapada Norte, Toni Silva iniciou sua formação artística ainda na infância e, aos 13 anos, mudou-se para Salvador para estudar dança profissionalmente na Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). Há mais de 20 anos radicado no Vale do Capão, na Chapada Diamantina, tornou-se uma das principais referências da dança afro e das práticas artísticas ligadas à ancestralidade negra na região.
Licenciado em História, pós-graduado em Docência no Ensino da Dança e mestrando em Dança, o artista constrói sua pesquisa a partir da Dança Afrodiaspórica com Simbologia dos Orixás, articulando conhecimento histórico, pedagogia e expressão corporal.
Sua atuação reúne criação artística, pesquisa acadêmica e trabalho comunitário. É fundador e diretor da Companhia de Dança Ominirá, formada por artistas e moradores do Vale do Capão, além de idealizador do Festival Vale que Dança, importante encontro de danças afro-brasileiras e contemporâneas que promove apresentações, oficinas e debates sobre ancestralidade, identidade e corpos em movimento.
Há quase duas décadas, também desenvolve ações de formação por meio de aulas gratuitas de dança afro e atividades culturais voltadas à comunidade. Sua contribuição para a cultura baiana foi reconhecida com o Prêmio Nilda Spencer de Reconhecimento da Trajetória Cultural.
Agenda “Ibanujé”
● Salvador – 08 de julho no Espaço Xisto (oficina às 16h espetáculo às 19h)
● Itabuna – 15 de julho no Centro de Cultura Adonias Filho (oficina às 16h espetáculo às 19h)
● Irecê – 22 de julho no Colégio Estadual Prof. Jorge Rodrigues (espetáculo às 10h oficina às 14h)
● Ibititá – 29 de julho na Escola Municipal Hermano Marques Dourado (oficina às 16h espetáculo às 18h)

Com informações da assessoria | Fotos: Mariane Riani


