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Mucugê: Fligê celebra as artes e Literatura como formas de expressão, memória e transformação 

“Literatura e as múltiplas formas do dizer” é o tema da 9ª edição da feira que reúne representantes do município, escritores, editoras e artistas com grande público até este domingo.

A palavra como expressão em diversas vertentes artísticas vem dando o tom da 9ª edição da Feira Literária de Mucugê (Fligê) que começou na última quinta-feira, 13, e vai até este domingo, 16, nas ruas de Mucugê, na Chapada Diamantina. Com o tema “Literatura e múltiplas formas do dizer”, a feira vem reunindo escritores, agentes culturais e artistas para celebrar mais uma edição do evento, que já se tornou parte da identidade da cidade.

Na abertura, a curadora Ester Figueiredo ressaltou a  relação entre a palavra escrita e as memórias construídas em cada esfera social, incluindo os lares. Ao falar sobre a curadoria da Fligê desde a primeira edição, destacou a presença de palavras que atravessam gerações e chegam à feira pelas histórias tradicionais e pela cultura popular.

“É muito bonito quando a gente vê um livro dentro de uma residência, porque isso representa uma biblioteca e uma memória”, afirmou.

Ester também ressaltou a construção coletiva por trás de cada edição. Para ela, defender o livro significa também cuidar de quem escreve, seja na literatura, no cordel, na poesia,na música ou em qualquer manifestação da cultura popular.

Tenda Literária reúne o mercado editorial

A Tenda Literária é um dos principais espaços da feira e abriu oficialmente suas portas no Centro Histórico de Mucugê. O espaço é o coração do mercado editorial do evento, reunindo editoras como Solisluna, Arpillera, Raiz, Nocego, Segundo Selo, Cogitto, Sagga e Philos, além da Livraria LDM. A produção acadêmica está representada pelas editoras universitárias da UESB, UNEB, UESC, UEFS, UFBA e UFRB.

O tradicional cortejo de abertura marcou o início da programação na quinta-feira (13), reunindo arte, poesia, música e texto, em um desfile que contou a história da escrita. Foi representado o início das “viagens” literárias até a influência das novas tecnologias da comunicação.

Os homenageados do evento estiveram representados em fotografias levadas por estudantes da cidade: a música, com a maestrina Lilian Barato e o músico Trazíbulo Vilarinho; a poesia e a arquitetura, com Dona Nélia Paixão; e a cultura popular, com Almerinda Silva Jardim.

Expectativa por Chico César: Praça dos Garimpeiros ficou lotada

A Praça dos Garimpeiros ficou lotada na noite de quinta-feira (13) quando o cantor Chico César subiu ao palco. “Bêradero” foi a canção escolhida para começar o show que, ao final, presenteou o público com mais dez minutos de espetáculo com convidados de peso como Ana Barroso, Mariene de Castro e o pequeno sanfoneiro Kairú, do Vale do Capão, de apenas nove anos

O show “Aos Vivos” reuniu sucessos autorais e de grandes nomes da música, como Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira, Geraldo Azevedo e André Abujamra. O cantor alertou para o combate à xenofobia ao interpretar “Asa Branca”, que considera a tradução do ser nordestino.

Além de Chico César, artistas baianos e de projeção nacional fazem a festa nesta edição. Ana Barroso, Jussara Silveira, Sylvia Patrícia e Armandinho estão na programação junto com a cantora Maria Gadu, que se apresenta no último dia de feira.

As mesas e conversas literárias trouxeram grandes nomes da Literatura e estudiosos, cientistas e artistas que trataram de temáticas que foram além da leitura e escrita e perpassa temas de relevância para a Chapada Diamantina, como meio ambiente, políticas públicas para a leitura.

Além disso, a recente divulgação da temática do enredo de Carnaval da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, que escolheu tratar sobre o livro Torto Arado, do baiano Itamar Vieira Junior, que fez sua quarta passagem pela Fligê.

Foto: Ananda Azevedo

Um dos destaques foi a mesa “Terras raras, águas sequestradas e palavra como fonte” que reuniu o Bispo Dom Vicente de Paula Ferreira e a professora universitária e pesquisadora Gislene Moreira.

Foto: Ananda Azevedo

Com auditório lotado, a pauta tratou da importância da defesa do meio ambiente e, mais especificamente das fontes de recursos hídricos para a preservação da vida no planeta. Aos representantes da mesa somaram-se manifestantes em defesa da proteção das águas da Chapada. 

Os leitores mirins têm espaço especial na feira. A Vila das Infâncias coloriu a imaginação das crianças na Fligezinha com momentos de contação de histórias, lançamento de livros e espetáculos poéticos, todos voltados ao incentivo à leitura.

Exposições, teatro e a sétima arte não poderiam estar de fora dessa efervescência cultural que também contou com a apresentação dos projetos estruturantes das escolas da rede estadual de educação da Chapada Diamantina.

A Fligê segue até este domingo, ao final de que são esperados em torno de 40 mil visitantes em Mucugê.

Ananda Azevedo | Fotos: Ananda Azevedo

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