Produção de Jamille Fortunato e Rodrigo Rodowicz será lançada no dia 29 de agosto, às 19h, no Mercado Cultural, dentro da programação do 1º Festival de Cinema de Lençóis.
Durante quase um século, as tocatas da Sociedade Phylarmônica Lyra Popular de Lençóis foram executadas exclusivamente por homens. Após a integração das primeiras mulheres, em 1997, essa história começou a mudar e atualmente, mulheres fazem parte da Lyra não somente como musicistas, mas também chegaram à direção desta que é uma das mais antigas agremiações culturais da Chapada Diamantina.
Toda essa trajetória é o tema central do documentário “Mulheres de Sol”, de Jamille Fortunato e Rodrigo Rodowicz, que será lançado neste sábado, 29, às 19h, no Mercado Cultural de Lençóis, compondo a programação do 1º Festival de Cinema de Lençóis.
Com 25 minutos de duração, o filme acompanha quatro dessas pioneiras: Elisângela Fernandes, Clésia Diamantino, Odilaine Botelho e Fernanda Alcântara, atual presidente da filarmônica; e recupera as memórias de uma transformação significativa na relação das mulheres com a organização.



Filhas e netas de garimpeiros, as integrantes enfrentaram o conservadorismo local para aprender instrumentos de sopro e percussão e o que começou com o encantamento diante da banda nas ruas de Lençóis, ganhou outra dimensão quando as musicistas passam a disputar espaços de decisão. Em meio a boicotes e pressões, elas se organizaram para assumir o comando da instituição centenária.
Para Clésia Diamantino, que também assina o argumento da obra e é ex-presidenta da Lyra, o filme aborda uma temática maior do que a música em si. “Evidencia uma luta que ultrapassa a filarmônica: a necessidade de mulheres demonstrarem continuamente competência e talento para ocupar espaços historicamente masculinos, inclusive posições de liderança”.
O enredo do documentário se confunde com a história de vida de Clésia e suas companheiras de aventura, Odilaine Botelho e Elisângela Fernandes. De acordo com o diretor Rodrigo Rodowicz, a misoginia estava presente nos relatos das três protagonistas. “Viveram isso na própria pele”, lamenta.
Na nova geração, a atual presidenta, Fernanda Alcântara, relata que não há nem misoginia e nem machismo, haja vista que a diretoria é composta, em sua maioria, por mulheres. “Mas desde o começo, Clésia quis contar essa história de exclusão, machismo e misoginia, sim”, afirma o diretor, reafirmando a intenção de contribuir, por meio do filme, com essa mudança de paradigma.
E o filme marca esta bandeira ao registrar a relação dessas musicistas com uma instituição que faz parte da identidade cultural de Lençóis e que se modificou enquanto coletivo, ao permitir a participação mais efetiva das mulheres. Desde as musicistas até a gestão, esta é uma história de superação que realmente merece ser contada, tanto pelo viés cultural, quanto pela luta de gênero.
Em breve, todos que estiverem no Festival de Cinema de Lençóis, evento aberto ao público que acontece até este sábado, 29, poderão acompanhar esta narrativa de perto e ver o filme estrear na sua cidade de produção. O que parece combinado foi pura coincidência, conta o diretor ao revelar que assim que acabaram a pós-produção e finalizaram o filme, surgiu a notícia do festival.
Sem esconder a alegria em ver o filme ser disponibilizado pela primeira vez ao público, Rodrigo falou ao Chapada News da importância de ver “Mulheres de Sol” ser lançado oficialmente na cidade. “É muito importante o filme ser transmitido para toda a comunidade lençoense. Acredito que o filme terá bastante repercussão na cidade de Lençóis, e é capaz de dialogar com a maioria do público feminino, podendo atingir potencialmente um vasto alcance nacional e internacional”, celebrou.
Diretores

Jamille Fortunato é diretora, roteirista e montadora. Tem pós-graduação em Cinema e Roteiro Audiovisual, além de formações em Cinema e Escrita Dramatúrgica. Atuamente, cursa Artes Plásticas na UFBA. Desde 2003 trabalha em TV, documentários, institucionais, publicidade,como assistente de direção, produção de elenco e figuração. É arte-educadora e dirigiu o curta Cordilheira de Amora II, vencedor de cerca de 17 prêmios, e Quando a Pátria Bate Forte, Melhor Curta no 18º Panorama Internacional Coisa de Cinema. O longa O amor dentro da Câmera (sobre Conceição e Orlando Senna) soma 7 prêmios.
Foto: Milena Paladino
Rodrigo Rodowicz é roteirista, cineasta, produtor executivo e diretor de fotografia. Fundou a Zabelê Filmes, em Lençóis, onde também integrou a 12ª e última Oficina de Roteiros do cineasta Orlando Senna (2019). Produziu e dirigiu séries para TV, e assinou a direção de produção do longa “Mestre e Artífices da Construção Civil na Chapada Diamantina” (IPHAN). Lançou produções como diretor e diretor de fotografia e, atualmente, se dedica ao longa “Circo Picolino o Filme” (2026).
Foto: Daniel Dourado


Serviço / Ficha Técnica
Título: Mulheres de Sol
Gênero: Documentário
Duração: 25 minutos
Temáticas: Feminismo, Superação, Patrimônio Cultural, Música, Nordeste
Direção: Jamille Fortunato e Rodrigo Rodowicz
Produção: Rodrigo Rodowicz
Edição e Finalização: Daniel Dourado
O projeto de produção do documentário tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura via Lei Paulo Gustavo (Ministério da Cultura).
Ananda Azevedo | Foto destaque: Dil Brito

